Muito bom esse texto do Pessoa... acho que estou assim hoje... sabe aqueles dias em que vc cruza exatamente com esse tipo de pessoa: que acha que é o máximo da perfeição... mas na verdade não passa de um ser humano comum e o pior: sem nenhum atributo louvável...
Esse é o mal de muita gente... querer ser o que não é... se preocupar demais com regras infundadas, etiquetas que não dizem nada, valores fúteis conversas banais...
Essas sim, são as que fazem o papel mais ridículo dessa peça chamada vida... o papel de "nada"... e o que seria o "nada"??? Pra mim se resume a ausência de qualquer coisa boa que se possa ter no seu íntimo... pessoas que não têm nada a oferecer, não podem evoluir nessa crostra terrestre... o caminho será longo pra essas pessoas... árduo... talvez se percam até encontrar a luz... não é fácil caminhar pela estrada dos tijolos amarelos... só quem tem dentro de si um espírito iluminado é que consegue tal façanha... faça o bem, pense o bem, plante o bem... não faça fofocas... não deseje o mal, não cobice o que não lhe pertence ( sonhar sim... cobiçar não...) e o principal: pratique a caridade moral... é a melhor forma de ser feliz aqui ou em qualquer lugar que estivermos...
Deixo aqui o texto de Pessoa que inspirou tal desabafo hoje...
Que assim seja...
Nunca conheci quem tivesse levado
porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em
tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes
porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para
tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das
etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo
ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de
fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem
pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas
ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste
mundo.
Toda a gente que eu conheço e que
fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles
príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz
humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma
cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me
falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi
vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os
terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido
traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
- Álvaro de Campos
O.b.s - ...talvez tenha encontrado um fragmento da minha alma ontem... mas é um fragmento apenas... mas creio que tenho muito a aprender com esse ser iluminado... é só não querer demais... lembrai-me: apenas fragmento - porção limitada - com prazo de validade - não é pra sempre!!










Mell
Sex 29 Ago 2008 05:11